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Aos 75 anos e com 50 anos de carreira recém completados, representante comercial de Cambé é recordista de vendas.
Apesar de o mercado de trabalho teimar em dar as costas a eles, cada vez mais pessoas acima dos 65 anos de idade optam por continuar no batente. Os motivos são vários: a pensão paga aos aposentados é irrisória, a estimativa de vida cresceu e a saúde na terceira idade melhorou. "Não consigo me imaginar sem trabalhar. Com o trabalho, a gente se esquece da doença e dos problemas. O trabalho é meu remédio para tudo", avalia Thomé Gonçalves, 75 anos, há 50 anos representante comercial da Aesa, empresa com sede em Cambé fundada em 1950 por imigrantes da Alemanha e hoje uma das maiores fábricas fornecedoras do mercado de reposição de molas e peças para suspensão para veículos de carga. Com 56 anos de existência, a história da Aesa se confunde com a do vendedor que na época em que foi contratado tinha apenas 25 anos. Thomé, que mal sabia para quê serviam os produtos da indústria, aceitou o desafio e saiu pelas estradas do Paraná em busca de clientes. "Naquela época, estrada pavimentada era um luxo. Cheguei a demorar 10 horas para ir de Maringá a Cruzeiro do Sul (norte do estado)", recorda.
Thomé faz parte de um quadro com cada vez mais importância entre a População Economicamente Ativa - PEA - e na contribuição com a renda familiar. De acordo com um levantamento realizado pelo IBGE em 2006, 30,2% do PEA é composto por pessoas acima de 60 anos, o que representa 5,6 milhões de idosos trabalhando. O instituto apurou também que mais de 65% da população idosa são chefes de família, ou seja, responsáveis pela renda do domicílio. Com tantos anos de estrada, o representante continua sendo o maior recordista de vendas da empresa. De acordo com a gerente de marketing, Milaine Bearzi, nos últimos anos, nenhum outro vendedor atingiu o volume de vendas de Thomé. E foi só ele resolver diminuir a carga horária, para que os locais da sua área de abrangência comercial também diminuíssem as compras. "Ele também não pára de buscar conhecimento. Mesmo com 50 anos de casa, faz questão de participar das convenções de vendas", diz. "Sempre acho que tenho o que aprender", emenda Thomé. Mas afinal, qual o segredo do vendedor? Para ele, a saúde começa pelo bom humor. "Trabalho com carinho, e levo uma vida boa. Nunca pensei em ficar rico, mas faço questão de jogar meu futebol e tomar minha cervejinha nos finais de semana", conta.
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